Semana da Mulher: como educar crianças para que não reproduzam o machismo?
4 de março de 2026 por Simone Canola Sem categoria Comentários desativados em Semana da Mulher: como educar crianças para que não reproduzam o machismo?
Falar sobre machismo não é “assunto de adulto”.
É, antes de tudo, assunto de educação.
O machismo não nasce com a criança, ele é aprendido. Ele aparece nas frases que escutam, nos papéis que observam, nas brincadeiras que são incentivadas (ou proibidas) e nas expectativas diferentes que colocamos sobre meninos e meninas.
Se queremos uma sociedade mais justa, precisamos começar pela infância.
O que é machismo?
Machismo é a crença — explícita ou implícita — de que homens são superiores às mulheres ou que existem papéis fixos e hierarquizados para cada gênero.
Ele aparece quando:
- Dizemos que menino não chora.
- Chamamos menina de “mandona” e menino de “líder”.
- Esperamos que meninas sejam delicadas e meninos sejam fortes.
- Naturalizamos que tarefas domésticas são “coisa de mulher”.
Pequenas mensagens repetidas moldam crenças profundas.
Como educar para evitar o machismo?
- Revise suas próprias falas
Crianças aprendem mais pelo exemplo do que pelo discurso.
Perguntas importantes para os adultos:
- Eu trato filhos e filhas da mesma forma?
- Cobro comportamentos diferentes?
- Faço comentários sobre aparência apenas para meninas?
- Permito que meninos expressem tristeza e medo?
Educação igualitária começa na autorreflexão.
- Permita emoções para todos
Quando dizemos que “menino não chora”, ensinamos que:
- Emoção é fraqueza.
- Vulnerabilidade é proibida.
- Raiva é a única emoção permitida para o masculino.
Ensinar regulação emocional é também prevenir violência futura.
- Divida responsabilidades
Meninos precisam:
- Arrumar o quarto
- Ajudar na cozinha
- Cuidar de irmãos menores
- Desenvolver autonomia doméstica
Meninas precisam:
- Ser estimuladas à autonomia financeira
- Ser encorajadas em matemática, ciência, liderança
- Aprender que podem ocupar qualquer espaço
- Cuidado com rótulos
Troque:
- “Menina é dramática” → “Você está frustrada, vamos entender isso?”
- “Menino é agressivo mesmo” → “Vamos aprender outra forma de lidar com a raiva?”
Rótulos cristalizam comportamentos.
- Ofereça modelos diversos
Apresente:
- Mulheres cientistas
- Homens cuidadores
- Mulheres líderes
- Homens sensíveis
Quanto mais diversidade de modelos, menor a chance de internalizar papéis rígidos!